O Reconhecimento Espiritual
"No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor."
Salmo 116, 15:
"É preciosa aos olhos do Senhor a morte de seus fiéis."
Papa Bento XVI:
"Quem tem esperança vive de outra maneira."
A Igreja Católica ensina que Deus não é um espectador indiferente ou omisso. Deste os primórdios, Ele se revelou à humanidade e nos convidou à comunhão. Prometeu a salvação enviando Seu Filho Amado, Jesus — cujo nome significa "Deus Salva" — para viver entre nós. Jesus, por livre oferta ao Pai, entregou Sua vida para realizar o desígnio da salvação. Seu sofrimento e morte manifestam o Amor Divino sobre todos os homens, mostrando que Ele participa de todos os momentos de nossas vidas, pois Ele é o Princípio e o Fim.
Durante a história da salvação, é notado que a doença faz parte da vida do homem. É considerada uma das provas mais árduas que homem pode enfrentar na vida. Ela traz impacto a todos os que cercam o aflito sofredor. Ela, a doença, incomoda e confronta nossos pensamentos, independência, liberdade, paciência e estabilidade, tornando-nos impotentes e frágeis.
No Antigo Testamento, o homem percebeu que a doença estava ligada à fragilidade humana. Com o tempo, os profetas compreenderam que a dor poderia ter um valor redentor. Já com a presença de Jesus na humanidade, Sua compaixão realizou inúmeras curas, mostrando que com Ele o Reino de Deus chegou. Sua Paixão deu um novo sentido ao sofrimento: ele agora é um meio de purificação e salvação.
Deus olha para quem sofre, com o mesmo amor com que olhou para Seu Filho, no sacrifício da Cruz. Podemos observar também no testemunho dado no Livro de Jó, sobre o mistério do sofrimento. Jó era um homem justo e integro, todavia, foi provado com doenças e desgraças, mas proclamou:
Jó 19:25
“Eu sei que meu Redentor está vivo e que aparecerá, finalmente, sobre a terra.”
Então, vemos que Deus permite o sofrimento, dor e provações. Porém, tudo permite em sua providência para um bem maior, mesmo que não possamos compreender de imediato.
Durante o ministério de Jesus neste mundo, Ele teve um amor especial pelos doentes. Curou os leprosos, restaurou visões dos cegos, surdos, coxos e ergueu os paralíticos. Mas suas curas foram além do corpo físico, curava também a alma, através do perdão dos pecados, dando o dom da graça de Deus e da vida eterna. Então, todos aqueles que sofrem com doenças, enfrentam dificuldades físicas e espirituais, Deus cuida e ama a todos. O exemplo foi exposto na atitude especial de amor de Jesus pelos que sofriam e os ofereceu consolo e cura. Em consequência, transmitiu e transmite uma mensagem da esperança e fé para aqueles que sofrem de doenças físicas e espirituais. Mas o mais importante, destaca o valor e peso da Fé na procura pela cura. Em várias passagens declarou que aqueles que buscavam por Ele por ajuda, já haviam sido curados por causa de sua fé. Sinalizando que a Fé tem um papel fundamental na jornada de cura e recuperação.
São Mateus 9:22
“Jesus virou-se, viu-a e disse-lhe: “Tem confiança, minha filha, tua fé te salvou”. E a mulher ficou curada instantaneamente.”
Nosso Senhor Jesus em sua missão confiou à Igreja os Sacramentos - sinais sagrados que comunicam a graça de Deus por meio de visíveis. Os sacramentos são necessários e absolutamente essenciais para os que creem, pois conferem o perdão, a adoção como filhos de Deus e a do Espírito Santo que cura e transforma.
- Batismo – Admissão para fé e liberta do pecado original;
- Crisma ou Confirmação - fortalece a fé;
- Eucaristia – Corpo e Sangue de Cristo, lembrando o amor e o sacrifício de Cristo;
- Penitência – Cura espiritual e absolvição dos que distanciaram de Deus pelo pecado.
- Unção dos Enfermos – Oferece a cura da alma e, se for da vontade divina, a do corpo, conferindo paz e coragem."
É dito que Deus tem os sofredores como seus “Prediletos”. Então, eles são aqueles que estão enfrentando doenças e aflições, carregando o sofrimento físico ou emocional. E isto revela não ser incompatível ou contraria o fato de ser amado por Deus. Ao contrário, revela a uma missão pessoal, capaz de redimir, libertar e salvar, permitindo a pessoa tornar um participante colaborativo na redenção - corredentor de Cristo – Seu Filho Predileto. Logo, mencionar que são Os Prediletos é uma verdade.
Nosso Senhor Jesus pelo seu amor imensurável deixa um sacramento específico para os doentes - Unção dos Enfermos. Este sacramento, que deve ser precedido pela confissão sempre que possível, fortalece o fiel em doença grave ou velhice. Se for da vontade de Deus, ele restaura a saúde; em todos os casos, prepara a alma para a passagem à Casa do Pai.
É no sofrimento que o homem muitas vezes amadurece e fortalece seu ser. A dor nos retira do comodismo, torna-nos dependentes da misericórdia divina e convida o próximo ao exercício da compaixão — que é o amor que se move para aliviar a dor do outro. Ambos os sentimentos promovem a unidade e refletem o caráter de Deus –Amor.
Em conclusão o processo da doença, podem ser uma consequência do pecado, mas pode ser fruto para a purificação e manifestação de Deus. Acredita-se que a enfermidade é um convite para buscar cura física e espiritual, reconciliação com Deus, mesmo em situações de angústia, dor, tormentos, amarguras, miséria, ansiedade e fatalidade. A enfermidade tem um caráter e proposito salvador, pois oferece a chance de aproximação com Deus e revigoramento pessoal. Qualquer que seja o propósito divino, o chamado do fiel é manter vivo o testemunho da fé.
Deus nunca abandona Seus filhos. Seguir Jesus é entrar em uma batalha espiritual, e para ser vitorioso é preciso perseverar até o fim. Como nos ensina São Paulo:
II Timóteo 4, 7-8
"Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde agora me está reservada a coroa da justiça..."
Ao fim desta jornada, guardando a fé como nosso tesouro mais precioso, estaremos prontos para a eternidade junto de Nosso Senhor Jesus Cristo.