Avareza
Apego excessivo e desordenado ao dinheiro e aos bens materiais
É vista como um amor desordenado e egoísta em adquirir e acumular bens materiais, em especial o dinheiro. É um desejo incontrolável de ajuntar riquezas que vão além do necessário para vida humana. A avareza é considerada um vício desprovido de sensatez e inteligência (estupido), porque o avarento deixa de desfrutar do poder de suas posses e usufruir de seu dinheiro para seu bem próprio. Ao invés, ele imagina ser um gasto ou uma perda desnecessária e devido a isso, perde a liberdade procurando guardar e proteger seus bens. Com isso, passa a ter constante angústia de perder o que possui. O Avarento acredita ter riquezas que pode proporcionar prazeres e poder, mas isso para ele nunca é uma realidade.
A liberalidade é a virtude que nos ensina a moderar nossos desejos e afeto as riquezas, de maneira justa e generosa. Enquanto a avareza é o oposto, ela coíbe a generosidade e cria uma relação doentia com os bens materiais. A Doutrina Católica nos ensina que a avareza é um pecado mortal, porque leva a outros males e vai contra o primeiro mandamento – Amar a Deus sobre todas as coisas.
São Mateus - 6,24:Não podeis servir a Deus e à riqueza.
A avareza não é exclusiva de quem possui grandes fortunas; refere-se ao vício do coração em substituir o amor (apego) pelo próximo e as coisas divinas, pelo bem material. É uma doença espiritual que afeta todas as classes sociais, gerando dureza de coração, inquietação, fraude e traição, desviando a atenção dos bens do céu. No Sermão da Montanha, Jesus adverte:
São Mateus – 6, 19-20A riqueza em si não é um pecado, mas uma grande responsabilidade. Deus não é pobre, pois tudo Lhe pertence, mas, como proclama São Paulo:
"Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem ........ mas cumulai tesouros no céu”
Coríntios 2 - 8, 9
"de rico que era, fez-se pobre por vós, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza".
A Igreja Católica chama a atenção que o acúmulo desmedido de riquezas, interrompe a pessoa de viver o amor ao próximo e a confiança na Providência Divina. É um vício capital e uma doença espiritual do coração.
As manifestações e consequências
Idolatria:
É uma forma de avareza, pois o dinheiro e os bens terrenos, são postos no lugar de Deus.
Mesquinhez:
Falta de generosidade mesmo quando há recursos. O uso correto das riquezas para o bem da família e do próximo é fruto da generosidade. Na avareza, o ato de partilhar gera tristeza, enquanto na virtude, gera alegria.
Defeito Moral:
É uma falha que corrói a alma, eliminando a paz e a liberdade interior, tornando a pessoa escrava de suas posses.
Dureza do Coração:
A incapacidade de enxergar a necessidade do outro por estar focado apenas no próprio acúmulo.
Apego excessivo:
Um desejo desordenado de posse que leva à miséria existencial, mesmo cercado de fortunas. Pode resultar em injustiça, mentira e corrupção para manter o patrimônio
Avareza Espiritual:
O desejo de acumular conhecimentos ou graças apenas para si, sem colocá-los a serviço do Reino de Deus.
O Combate e a Dimensão Social:
Para combater a avareza, devemos praticar a gratidão, reconhecendo que tudo o que temos é dom de Deus.
Agostinho ensinou:
O homem não se torna bom por possuir coisas boas. Ao contrário, o homem torna boas as coisas que possui ao usá-las bem".
Por fim, a avareza torna-se um "Pecado do Mundo", pois fere a coletividade. Ela alimenta uma dinâmica de consumismo que depreda o meio ambiente, gera corrupção e concentração exagerada de renda. Na modernidade, o valor do indivíduo é muitas vezes reduzido ao que ele possui. Itens de luxo e tecnologias tornam-se símbolos de status, alimentando a cobiça em vez da necessidade. Enquanto a riqueza é idolatrada, a pobreza aumenta.
Conclusão:
Vencer a avareza exige um exercício diário de desapego e confiança. Ao praticarmos a generosidade, a esmola e a oração, reconhecemos que nossos bens são temporários e que somos apenas administradores da abundância de Deus. Só o amor ao próximo e a entrega à Providência podem libertar o coração das correntes do acúmulo e devolver ao ser humano sua verdadeira dignidade e liberdade.